Beshaláḥ

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Rabino Uri Lam, Beth-El, fevereiro de 2020

Véspera de Tu biShvat, Shabat Shirát Haiám

Saímos do Egito. E agora? Cantar “Alalaô, mas que calor”? Não mesmo. Agora tínhamos o deserto por estrada, os egípcios a nos perseguir e o Mar Vermelho a nos ameaçar de morte. Nós chorávamos: “Bons tempos, quando éramos escravos no Egito. Agora somos livres… pra morrer no deserto!” Foi quando Deus abriu o mar e nos fez passar por terra seca. Contudo, o mar também se abriu para os egípcios, que nos perseguiam entre as muralhas de água. Deus então fez com que as águas despencassem sobre eles, afogando seus cavalos e cavaleiros no mar.

Moisés, Miriam e milhares de pessoas, milhões, formaram o maior coro de todos os tempos: “Ashira l’Adonai ki gaô gaá, sus veroḥvô rama vaiam. Ozí vezimrát Iá vaiehi li lishuá.

Cantarei para Ad!onai, tão glorioso a se mostrar / cavalos e cavaleiros lançou lá no fundo do mar. / Ele é a Minha Força, para Ya é minha canção; / Ele se tornou para mim a salvação.”

Conta o Talmud (Bavli, Meguilá 10b) que quando os egípcios se afogaram, os anjos cantaram de alegria. Mas Deus os calou, dizendo: “As Minhas obras se afogando e vocês cantando?!”

Tudo que existe é obra do Criador, a Fonte que enche a terra de vida. Quando algo do planeta é afogado, queimado, soterrado ou abandonado à própria sorte, nenhuma benção pode vir disso; não podemos comemorar enquanto o mundo é destruído.

Ainda no Talmud (Bavli, Braḥot 35a), aprendemos que, antes de consumir algo, devemos agradecer. Como abençoamos as frutas das árvores? Borê pri haetz; E o vinho? Borê pri haguéfen. E os frutos do solo? Borê pri haadamá; e o pão? Hamotzi léḥem min haáretz. Agradecemos ao Criador por termos com que nos alimentar e ter prazer.

O Rav Kook dizia que nenhum prazer pode ser desfrutado de fato se não decorrer de uma felicidade ética, que para ele é o mesmo que conhecer Deus. Explorar o mundo de modo inconsequente, somente em benefício próprio, sem demonstrar gratidão, é se apropriar indevidamente de algo divino. Em outras palavras, é roubar de Deus.

A Torá, a Árvore da Vida, busca nos afastar das águas amargas da exploração predatória e nos leva para outro destino: para “a sombra de setenta tamareiras e a água fresca de doze fontes”. (Êx. 15:27).

E por falar em setenta tamareiras, no dia 16 de fevereiro de 2020, domingo de manhã, o KKL plantará setenta árvores junto aos Arcos do Bixiga, na Bela Vista, em ação conjunta com a Prefeitura de São Paulo, o Consulado de Israel e outras instituições. Eu estarei lá, plantando árvores. Vocês estão convidados/as!

Preservar o meio socioambiental – que é a nossa casa, o planeta – dá sentido à passagem do Canto do Mar que diz:  Ozi vezimrát Iá, vaiehi li lishuá”; “Ele é a Minha Força, para Yá é minha canção; / Ele se tornou para mim a salvação.”

Que neste Tu biShvat possamos renovar, com nossas ações, a esperança de que, a partir de agora, a relação entre o ser humano e o planeta passará a ser plenamente amorosa.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]